Fazendo Arte


Fazendo Arte

Relato de um dia de trabalho na comunidade do Caçador, segundo as palavras da professora Andrelise…

Recentemente estávamos trabalhando com os alunos do 3º e 4º ano da comunidade do Caçador sobre o artista Cândido Portinari, durante esta atividade os educandos demonstraram algumas atitudes que me deixaram muito emocionada e motivada para continuar a lecionar até o dia em que o Senhor permitir.

Na última quarta-feira (19/08) trabalhamos o plano de pesquisa proposto pela metodologia de educação por princípios, ao trabalhar as definições os alunos além de compreenderem o significado das palavras propostas pelo dicionário manifestaram o desejo de exemplificar os termos a partir de suas vivencias cotidianas.

Ao trabalhar a etapa do Raciocinar do plano de pesquisa, abordamos o princípio do Caráter, conversamos sobre a sensibilidade artística que possuímos. Posteriormente, observamos algumas obras do Portinari como Palhaços na Gangorra (1957), Meninos Brincando (1955), Futebol (1935) e Meninos Soltando Pipa (1941). Durante as observações os alunos foram relatando sobre alguns fatos que julgaram interessantes, como por exemplo, o princípio da Aliança na obra Palhaços. Um dos alunos disse o seguinte: “- Não tem graça brincar sozinho, nós sempre precisamos de outros não só na gangorra mas em tudo que fazemos, isso é aliança!”. Também relataram sobre como se faz uma pipa, quais eram suas brincadeiras preferidas, principalmente o futebol, igual é demonstrado na obra do Portinari onde as crianças brincam descalços.

Os alunos identificaram espontaneamente as semelhanças entre a obra futebol e a comunidade do Caçador, desde as moradias, diversões, vestuário, etc. O assunto estava tão cativante que em determinado instante um aluno levantou a mão e disse: “- Professora, por favor, você pode fazer uma “pausa” na aula por um instante?” Este aluno necessitava sair e não queria perder nada sobre o assunto.

Alguns ao ler este relato julgarão como atitudes básicas para alunos de 3º e 4º ano, mas não foram estes comportamentos que encontrei no mês de Março do presente ano letivo, nesta época alguns somente me olhavam, outros relatavam que nunca teriam capacidade para aprender e ainda havia aqueles que escondiam o rosto ou debruçavam-se sobre a carteira até quando eu perguntava seu nome. Portanto, dizer “Por favor”, interpretar e contextualizar o ensino com seu cotidiano sozinho, é muito gratificante especialmente porque isso é para honra e glória do Senhor (Salmos 115:1).

Não a nós, Senhor, nenhuma glória para nós, mas sim ao teu nome, por teu amor e por tua fidelidade! (Salmos 115:1)

Andrelise de L. Assumpção
Professora de Arte